domingo, 15 de janeiro de 2012

Paso de Água Negra - 10º Dia

   Chegamos ao ponto alto da viagem e com certeza este dia será lenbrado pelo resto de nossas vidas.

   Havia uma expectativa muito grande se iríamos fazer a travessia da cordilheira pelo Paso de água negra, isso porque, há dois dias encontramos um grupo de motociclistas de Mendoza dizendo que não conseguiríamos, pois o Paso estava fechado devido ao mau tempo. Essa informação nos preocupou, haja visto que nosso roteiro poderia ser alterado a qualquer momento.
   Convictos, seguimos nosso roteiro original, afinal nossa grande meta era fazer a travessia do Paso de Água Negra, que segundo informações será totalmente asfaltado até 2013, informação esta, passada pelo guarda da aduana Chilena, sendo assim, mais um motivo para atravessá-lo.

   Muito diferente da paisagem árida do deserto, para chegar à aduana Chilena, passamos por Vicuña, região bem arborizada com Vinhedos ao longo da estrada.




Vicuña
Vicuña


Foto para Folder Festa da uva 2013


   Embora a expectativa, o céu azul já anunciava que não teríamos problemas para ingressar ao Paso. Na Aduana Chilena, como em todo o Chile, fomos muito bem tratados e tão logo que atrevessamos a aduana chegamos ao rípio. Rípio é uma estrada de terra composta por pedras arredondadas que geralmente estão soltas, com bolsões de pedras que dificultam a pilotagem.
  


Aduana Chile

Estrada de rípio - saída do Chile

   Foram mais de 140 km de estrada de rípio de muita adrenalina, um mix de extrema beleza natural, medo e muito efeito da altitude. É inexplicável.

   A subida começa com uma paisagem fantástica, um lago de águas escuras, será que por isso se chama "Água Negra"?

Lago, início do Paso Água Negra

Dedé pagando um pau pro Lago
Se errar a curva cai na água
  


    A subida é bem longa e logo após o grande lago começamos a enxergar a neve nas montanhas.


Neve


Neve



Foto Tirada pelo Dedé Duran, ele quer 300 pesos por ela


e essa 500


Essa eu roubei.....



Neve
Neve



   Subimos a 4.780 metros de altitude onde chegamos ao Paso Intenacional de Água Negra e como se tivéssemos programado, chegando ao topo da cordilheira, uma leve nevasca começõu a cair do céu enquanto conversávamos com um casal de Alemães que estavam fazendo o caminho contrário, da Argentina para o Chile.  Imaginem só o rolê que eles deram até aqui, isso mostra que nosso rolê virou uma voltinha de moto até a padaria........





   Reparem na parte escura da jaqueta do alemão os flocos de gelo. O bom foi nossa comunicação....rs








   Lá em cima o efeito da altitude é muito grande, mas isso vira um pequeno detalhe. A temperatura chega a quase 5º em pleno verão.
  


Caipira, nunca viu neve....

Foto de Dedé Wolfenson



A Descida é mais perigosa, pois já estamos acostumados e tendemos a arriscar mais. Esse é o perigo, pois há grande precipícios e um erro pode ser fatal. 










   Ao final da travessia tivemos uma pequena surpresa para encrementar um pouco essa aventura, o pneu traseiro da minha moto furou, tentamos usar o reparo de pneus por duas vezes, porém sem sucesso,  o furo era muito grande e para ajudar um pouco começou uma chuva de granizo.

  Aliviamos o peso da moto passando parte da bagagem para a moto do Dedé e rodamos 36 km até encontrarmos um borracheiro. Tivemos muita sorte, pois há trechos de mais de 150 sem apoio algum.


   Pra quem  viaja de GS, vai uma dica, leve chave de roda trazeira e dianteira, graças ao kit ferramentos do Dedé, não ficamos na mão, portanto galera, sejam precavidos.



Chuva de granizo



Borracharia tocada por uma mulher e trêz filhos pequenos, lição de vida...


É isso aí, com pneu concertado tocamos até San Juan, a cidade mais quente que passamos até agora, chegamos as 10 horas da noite e estava fazendo 35º, de clima extremamente seco.

Termino aqui essa postagem de hoje, a mais fácil de fazer até agora, com a sensação de estar faltando muita coisa pra contar. Não sei se estou feliz ou triste, certamente com a satisfação que buscavamos ao idealizar essa viagem. É um sentimento muito difícil de expressar, talvez alguns valores mudarão a partir de agora, pois sentimos muitas coisas como frio, calor, medo, alegria e principalmente MUITA SAUDADE DE QUEM AMAMOS.


Amanhã continuamos dizendo como foi nossa estadia em Mendoza, terceira parte de nossa trip, o retorno.





Um comentário:

  1. Este espaço é para fazer comentários, mas as fotos mostram que nem precisa.

    Celão e Dedé... "A distância é como os ventos: apaga as velas e acende as grandes fogueiras." (Machado de Assis)

    A saudade é a prova de que o passado valeu a pena. Abraços

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